Tiago Oliva Schietti
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Entenda os custos ocultos e faça a escolha certa entre consórcio e financiamento, com Tiago Oliva Schietti

Comparar consórcio e financiamento apenas pela ausência de juros em um deles e a presença de juros no outro é, segundo o empresário Tiago Oliva Schietti, uma simplificação que costuma levar o consumidor a decisões equivocadas. A comparação correta exige olhar para o custo total de cada modalidade, considerando prazo, taxas envolvidas e, principalmente, o momento em que o bem será efetivamente adquirido.

Duas lógicas diferentes de crédito

O financiamento é uma operação de crédito tradicional: uma instituição financeira empresta o valor necessário para a compra do bem, e o consumidor devolve esse valor ao longo do tempo, acrescido de juros. O bem costuma ficar disponível quase imediatamente, mas o custo financeiro tende a ser mais alto, sobretudo em cenários de juros elevados.

Já o consórcio funciona por autofinanciamento coletivo: um grupo de pessoas contribui mensalmente para formar um fundo comum, que é usado para contemplar os participantes por sorteio ou lance ao longo do prazo do grupo. Não há cobrança de juros, mas existe a taxa de administração, o principal custo do produto, além de eventual fundo de reserva e seguro.

O que realmente deve entrar na conta?

Tiago Oliva Schietti recomenda que, antes de comparar as duas modalidades, o consumidor liste todos os custos envolvidos em cada uma. Assim, no financiamento, entram a taxa de juros efetiva, o Custo Efetivo Total (CET), que já reúne juros, tarifas e seguros obrigatórios, e eventuais taxas de abertura de crédito. Já no consórcio, entram a taxa de administração total, o fundo de reserva (quando exigido), o seguro embutido e, se houver interesse em antecipar a contemplação, o valor necessário para dar um lance competitivo.

Somente com esses números lado a lado é possível saber, para uma situação específica, qual modalidade representa o menor custo total, e a resposta pode variar bastante conforme o valor do bem, o prazo escolhido e as condições oferecidas por cada instituição.

Tiago Oliva Schietti

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O fator tempo: a diferença mais importante

Além do custo, existe uma diferença estrutural que pesa tanto quanto o valor final: o financiamento garante a posse do bem de forma praticamente imediata, enquanto o consórcio depende da contemplação, que pode ocorrer logo no início do grupo ou apenas próximo ao seu encerramento, dependendo de sorteio ou lance.

Para quem precisa do bem com urgência para trabalhar, por exemplo, ou para resolver uma necessidade habitacional imediata, o financiamento tende a ser mais adequado, mesmo com custo total mais alto. Já para quem tem um planejamento de médio ou longo prazo e pode esperar pela contemplação, o consórcio pode representar uma economia relevante, especialmente em cenários de juros elevados, como o observado nos últimos anos no Brasil.

O papel do momento econômico na decisão

Dados recentes do setor mostram que o interesse pelo consórcio cresce justamente nos períodos em que o crédito bancário fica mais caro, e o segmento imobiliário é um exemplo claro desse movimento: mudanças nas regras de financiamento habitacional levaram parte dos consumidores a reconsiderar o consórcio como alternativa viável para a compra da casa própria, mesmo sabendo que a contemplação não tem data certa.

O empresário pondera que esse tipo de decisão não deveria ser tomada apenas com base no cenário macroeconômico do momento, mas sim considerando o horizonte de planejamento de cada pessoa. Um consórcio contratado hoje vai conviver com vários ciclos de juros até o encerramento do grupo, o que reforça a importância de simular diferentes cenários antes de decidir.

Perguntas para orientar a comparação

Antes de escolher entre consórcio e financiamento, vale responder a algumas perguntas: existe urgência real na aquisição do bem, ou é possível aguardar a contemplação? Qual é o Custo Efetivo Total do financiamento disponível, incluindo todas as tarifas? Qual é o percentual total da taxa de administração do consórcio e como ela é distribuída ao longo do prazo? E há disponibilidade de recursos para dar lances e antecipar a contemplação, caso essa seja a estratégia escolhida?

Em suma, o empresário Tiago Oliva Schietti reforça que não existe resposta única entre consórcio e financiamento; existe a resposta mais adequada para cada situação, considerando prazo, urgência e capacidade de planejamento. Diante da complexidade dessa decisão, buscar a orientação de um profissional especializado em planejamento financeiro continua sendo o caminho mais seguro antes de assinar qualquer contrato.

 

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