Daugliesi Giacomasi Souza
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Sustentabilidade como critério de projeto, não tendência

Para a designer de interiores Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, sustentabilidade não é uma escolha de acabamento: é um critério que entra no projeto antes da primeira planta. Boa parte do mercado ainda trata o tema como um adicional, ligado a painel solar ou reuso de água instalados no fim da obra.

A decisão que realmente muda o resultado acontece na concepção, quando se escolhem o terreno, a orientação e os materiais. Dois projetos com o mesmo metro quadrado chegam a resultados distintos de conforto e consumo porque um deles nasce pensando em como a luz e o vento vão se comportar ao longo do dia, enquanto o outro corrige depois, com equipamento, o que deveria ter sido resolvido no desenho.

O momento em que a decisão sustentável é tomada

Grande parte do desperdício em uma edificação nasce antes da fundação. Se a implantação da casa ignora o percurso do sol ou a direção predominante do vento, nenhum equipamento instalado depois compensa totalmente essa escolha inicial. Climatizadores e sistemas de automação amenizam o problema, mas operam corrigindo uma falha de origem, não eliminando-a.

Tratar sustentabilidade como tendência é, nesse sentido, um erro de sequência: ela aparece tarde demais, quando o projeto já fechou suas variáveis mais importantes. Quando entra como critério, ao lado de programa de necessidades e orçamento, a sustentabilidade passa a influenciar decisões sem volta fácil, como a posição da construção no lote e o formato da cobertura.

Terreno e orientação solar moldam o desempenho da casa

O papel do terreno vai além da topografia. A leitura de sombreamento das construções vizinhas, do regime de chuvas da região e da vegetação existente define o quanto um ambiente vai depender de ar-condicionado. A designer de interiores Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, costuma frisar que essa leitura do terreno separa um projeto adaptado ao lugar de um projeto genérico repetido em qualquer endereço.

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A orientação solar, nesse contexto, organiza a distribuição dos ambientes: dormitórios se beneficiam de exposições mais amenas, enquanto espaços de convívio absorvem melhor a luz direta quando recebem proteção adequada, como beirais largos ou brises. Essa lógica reduz a dependência de climatização artificial sem alterar o custo estrutural da obra.

Materiais e ciclo de vida entram na conta desde cedo

A escolha de materiais também muda de sentido quando pensada como critério de projeto. Não se trata apenas de optar por itens reciclados ou certificados, mas de considerar a origem e o transporte de cada componente antes de especificá-lo. Um material produzido perto da obra, mesmo sem selo ambiental, pode ter impacto menor do que um item apenas rotulado como sustentável, mas transportado por longas distâncias.

Esse raciocínio, segundo Daugliesi Giacomasi Souza, muda a forma como o projeto de interiores dialoga com a arquitetura: revestimentos e esquadrias passam a ser avaliados pelo desempenho ao longo dos anos, não pela aparência inicial. Madeira de reflorestamento, blocos de vedação com melhor isolamento térmico e tintas de baixo teor de compostos voláteis costumam entrar nessa análise.

Sustentabilidade como cultura de projeto, não item de checklist

Pensar sustentabilidade desde o início muda a relação entre arquitetura e conforto. A edificação passa a gastar menos energia para entregar o mesmo bem-estar, sem depender de tecnologia cara para compensar decisões ruins. É essa diferença que separa um projeto qualificado de um projeto apenas etiquetado como verde.

A trajetória da designer de interiores Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, reforça essa leitura: sustentabilidade funciona melhor como cultura de trabalho do que como item isolado de especificação. Quando terreno, orientação e materiais são discutidos juntos, desde a primeira reunião, o resultado deixa de depender de tendência de mercado e passa a refletir um método de projetar.

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